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Ambientes de Trabalho Tóxicos: como reconhecer e melhorar a produtividade das empresas

Cobranças, pressão por resultados, incertezas e mercado competitivo são alguns dos principais geradores de instabilidade emocional no mundo corporativo e surtem efeitos negativos no clima organizacional de toda a estrutura do negócio, resultando na perda de produtividade e, lá na ponta, queda no faturamento. .

Para falar sobre ambientes tóxicos dentro das organizações convidamos a psicóloga Nazaré Mussa para esclarecer algumas dúvidas sobre o tema.

O que é?

Ambientes tóxicos são construídos principalmente pela liderança. Preocupados em mostrar resultados definidos pela estratégia operacional, criam um ambiente de insegurança e desrespeito com os colaboradores, que se manifesta no tom de voz inadequado, palavras duras e postura invasiva, como se os fins justificassem os meios. A equipe, eternamente assombrada pelo fantasma da demissão, se recolhe e evita se posicionar.

O trabalho é visto como um fardo e o líder não como companheiro, mas um déspota que só acredita em si mesmo. E, infelizmente, este modelo de gestão “quem pode mais, fala mais alto” costuma ser reproduzido em toda a cadeia hierárquica, da presidência ao operacional. Quem consegue ser produtivo em um ambiente assim? 

Estresse no trabalho

Há anos a neurociência tem estudado como as condições do ambiente de trabalho e estímulos externos influenciam a produtividade. Ficar exposto a cenários de incertezas, especialmente os que se prolongam, provoca muito estresse, que quando aliado a agitação em excesso, ausência de objetivos bem definidos, falta de foco e atenção – características comuns dos profissionais de hoje em dia, o desempenho profissional fica seriamente comprometido.

Ambientes Tóxicos afetam diretamente no bem estar do colaborador e consequentemente no faturamento da empresa.
Ambientes Tóxicos afetam diretamente no bem estar do colaborador e consequentemente no faturamento da empresa.

A psicóloga, Nazaré Mussa, aponta pontos importantes para saber identificar quando aquele ambiente ou relação de trabalho está ou não fazendo bem para o colaborador. “Ter autoconhecimento é fundamental, pois logo conseguimos notar quando um ambiente ou pessoa estar sendo ruim para nós. Vamos citar um exemplo: se deixar um chefe ou superior gritar com você, ele vai fazer isso como rotina, porque já é do comportamento dele ser autoritário”.

Quando isso vira uma situação comum no ambiente, o colaborador acabando ficando muito estressado e pode desencadear o estresse agudo e crônico. Ambos prejudicam o bem-estar do funcionário, perde produtividade e consequentemente traz uma queda no faturamento daquela empresa, segundo a pós-graduanda em neuropsicológica Nazaré Mussa.

Falha na comunicação

Uma equipe que não é engajada não consegue chegar aos objetivos. Esse é principal objetivo de trabalhar em equipe, no entanto, quando existem falhas na comunicação entre o gestor e a equipe geram problemas no ambiente de trabalho. Os colaboradores precisam de instruções precisas sobre suas tarefas e como executá-las em tempo hábil e, principalmente, saber o que é prioridade e o que não é.

Se a comunicação não flui, o resultado pode ser retrabalho, perda de tempo e de produtividade, o que gera prejuízos para a empresa. Um exemplo bem simples: a falta de comunicação adequada pode levar dois colaboradores a trabalhar em uma tarefa que requer a atenção de um só, e nem sequer perceberem isso. Para Mussa, vale ressaltar a importância um líder identificar isso na equipe e trazer uma comunicação interna mais dinâmica.

Falta de Feedback

Para que seu time atue com eficiência, é necessário que você dê feedback. Esse termo inglês significa algo como “alimentar de volta ou retroalimentar”, ou seja, você precisa “alimentar” a equipe com críticas construtivas, para validar ações e incentivar o aprimoramento dos processos que estão deixando a desejar. Por meio do feedback, os colaboradores entendem se seu desempenho está dentro do esperado ou se precisam melhorar. Um gestor que oferece feedback mostra que respeita e valoriza sua equipe, pois estimulará a autoestima e a autoconfiança.

A falha em oferecer retorno aos colaboradores leva a mais uma consequência negativa para a produtividade: a perda de talentos. No livro “Com gente é diferente”, o autor Eugênio Mussak mostra como as empresas perdem profissionais talentosos por simples falta de feedback. Ele exemplifica com duas situações: na primeira, ao demitir um empregado que não apresentou bom rendimento, o gestor ouve do colaborador que nunca mudou seus procedimentos porque nunca foi informado de que deveria agir de outro modo. No segundo caso, um profissional competente comunica ao gestor que está se demitindo por achar que não faria a menor falta, pois nunca sentiu que seu trabalho fosse valorizado.

Portanto, você precisa conhecer bem o seu time e estar pronto para oferecer críticas construtivas, orientar e remanejar tarefas de acordo com as habilidades de cada um.

Como chegar a um ambiente ideal?

Ambientes tóxicos são difíceis de trabalhar, pois desestimulam os profissionais e pioram o bem-estar dos mesmos, além de trazer prejuízos para as empresas. Mas como melhorar ou chegar a um que seja ideal? 

Para a Nazaré Mussa, trabalhar a terapia empresarial é o caminho para ‘desintoxicar’ ambientes assim. O primeiro passo é introduzir dentro da cultura da empresa que é necessário ter funcionário emocionalmente bem trabalhando ali dentro.

A pisicóloga Nazaré Mussa revela que trabalhar a terapia empresarial é uma das formas de ajudar no engajamento de uma empresa saudável. (Foto: Emily Maduro)
A pisicóloga Nazaré Mussa revela que trabalhar a terapia empresarial é uma das formas de ajudar no engajamento de uma empresa saudável. (Foto: Emily Maduro)

“Passamos a maior parte do tempo com nossos colegas de trabalho do que com nossas famílias. Imagina então passar a maior parte do seu tempo em um ambiente onde você não se sente bem, sofre uma pressão enorme e não se dá bem com os colegas de trabalho? Provavelmente a empresa sairá perdendo. Funcionário infeliz não trabalha bem. É um fato! ” 

E para a cultura empresarial ser modificada, seja a empresa grande ou pequena – lembrando que quanto maior a empresa, mais difícil será essa transformação, mas não é impossível, o topo da cadeia precisa mudar.

Estamos falando de liderança. Líderes emocionalmente inteligentes, levam sua equipe a trabalhar de maneira mais unida, a gerar bons resultados e a criar uma nova cultura dentro da organização.

Para a especialista, investir em treinamentos que trabalhem a inteligência emocional dos gestores e líderes é um bom caminho para melhorar o ambiente de trabalho. “Bons líderes, via de regra, não nascem espontaneamente. É preciso cultivá-los, dar a eles instrumentos que os motivem a evoluir, transformando em definitivo a sua organização para o futuro”.


Redação: Emily Maduro
Edição: Rodrigo Guirado

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